Great Scott #68: Primeiro piloto a ganhar uma corrida de F1 com quatro pit-stops?

Great Scott Mais 07/09/2020
Tovar FC

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Great Scott #68: Primeiro piloto a ganhar uma corrida de F1 com quatro pit-stops?

Ayrton Senna

A história é de Chico Serra, campeão da Fórmula 3 em 1979. “No primeiro dia de Senna como piloto da F3, em 1981, a barata [carro] estava pronta e ele estava faceiro [guerreiro]. Tinha acabado de colar o adesivo ‘Ayrton da Silva’ no cockpit. Achei o carro lindo, mas assim mesmo arrisquei um palpite:

— O ‘da Silva’ não vai dar certo.

Ayrton surpreendeu-se.

— Não consigo imaginar um campeão do mundo chamado da Silva.

— Campeão do mundo?

(o Ayrton engoliu em seco e repetiu a si mesmo: — Campeão do mundo.

Eu insisti: — Use ‘Senna’. É menos comum e mais sonoro.”

Ayrton Senna da Silva. Engolimos em seco e repetimo-nos Ayrton Senna da Silva. Impossível escrever este texto sem um arrepio na espinha. O piloto, o homem, a lenda. Do Brasil para o mundo. Mesmo quem preferisse Alain Prost, impossível desconsiderar Ayrton. Nunca, jamais. Mesmo quem não acompanhasse a Fórmula 1 nem gostasse de ver os Grandes Prémios, teria obrigatoriamente de admirar Ayrton.

O homem é um fenómeno

– em 161 GP’s na carreira, ganha 41. O primeiro de todos no Estoril, em Abril 1985, quando dá uma volta de avanço a todos os concorrentes, menos ao segundo classificado Michele Alboreto

– é o GP mais exigente e também o mais chique, o do Monaco, claro; Ayrton é o rei, com seis vitórias, cinco das quais consecutivas (1989-1993)

– impressionante, o registo de velocidade médio de Ayrton nos GP’s Itália: 242 em 1988, 249 em 1989, 252 em 1990 e 257 em 1991

– chama-se hat-trick a quem colecciona pole position, vitória e melhor volta; Ayrton acumula sete hat-tricks, o primeiro dos quais no Estoril em 1985

Tudo isto é brilhante, sem dúvida. O momento mais icónico, esse, é o do GP Europa, no dia 11 Abril 1993. Na chegada a Inglaterra, o bom do Ayrton só quer chuva. “Os Renault [os William de Prost e Hill] são potentes, mas isso nada lhes vale numa pista húmida.” No primeiro dia de treinos, à chuva, Senna faz o melhor tempo. No segundo, sem chuva, Senna baixa para quarto, atrás de Prost, Hill e Schumacher (Benetton). No terceiro, é a corrida propriamente dita. A pista está ligeiramente húmida. Senna arranca mal e embrulha-se com Schumacher. Disso se aproveita Wendlinger (Sauber) para subir ao terceiro lugar.

A partir daqui, prepare-se para a volta perfeita. Na primeira sequência de curvas Craner, à direita, Senna deixa Schumacher para trás. Na segunda curva, Senna ultrapassa Wendlinger por fora e assume o terceiro lugar. Na Old Hairpin, o brasileiro pressiona Hill e o inglês é fintado por Ayrton na McLeans, curva de baixa velocidade à direita. Segue-se um recta considerável. Senna acelera entre a Coppice e os Esses para se aproximar de Prost.

Completado o esse, Senna cola-se à traseira do Williams e dá o golpe de génio no gancho da Melbourne, sem dificuldades. Numa volta apenas, Senna escala cinco posições e já vai em primeiro lugar. A partir daí, o GP é uma montanha-russa de emoções e de também de clima. Ora faz sol, ora chove.

Senna vai quatro vezes às boxes (brutal) e é o primeiro vencedor de um GP com tantos pit-stops (mais brutal ainda). No fim das 76 voltas, mais de um minuto de avanço ao segundo classificado, Hill. E uma volta de avanço ao terceiro, Prost (sete pit-stops, recorde de sempre), e ao quarto Herbert (só um). Duas voltas de avanço a Patrese (5.º) e Barbazza (6.º), três a Fittipaldi (7.º), quatro a Zannardi (8.º) e Comas (9.º), seis a Alboreto (11.º).

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